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Setembro Amarelo: como identificar os sinais de risco de suicídio no cotidiano e nas redes sociais

Todos temos condições de olhar ao nosso redor e ter um avaliação cuidadosa, capacitada à observar com atenção as pessoas e comportamentos sugestivos a ideais de morte. Embora muitas vezes cada um se envolva em seus dias com sua vida e questões, a verdade é que por vezes somos nós mesmos que necessitamos de ajuda, da própria ajuda, do reconhecimento de que não estamos bem. É importante salientar que quando não fazemos isso, não nos cuidamos, damos exemplos as crianças e adolescentes.

Quando o outro nota já passamos a exteriorizar os nossos sentimentos de forma expressiva e já se imprime um certo pedido de sermos notados, um pedido de socorro, e aí já temos um belo caminho para a PREVENÇÃO! Que alguém tenha a atitude de nos abordar para uma conversa amiga, que denote preocupação e carinho conosco.

Os números evidenciados em casos de suicídios concretizados aumenta preocupantemente, e embora precária a questão das políticas públicas que deveriam nos auxiliar neste acolhimento, alguns recursos já se mobilizam para prevenir. Entretanto, somos muito mais juntos…sem contarmos apenas com esses recursos, é possível diminuir o número com o apoio de quem se conscientiza e enfrenta essa realidade junto da pessoa em situação de risco. Um exemplo disto são grupos de apoio e redes sociais que estão firmados na causa e facilmente são encontrados na rede digital.

Estamos falando de mais de 800 mil casos de morte por suicídio por ano, é muito para nós nos aquietarmos porque esse número não atingiu nossa família ou nossos entes queridos. Essa é a segunda causa morte entre jovens de 15 a 29 anos. (Organização Mundial da Saúde, 2017)

Olhe para os seus, os sintomas na maioria das vezes são visíveis, ao contrário do que muitos pensam – que o silêncio protege esse tipo de tentativa, se enganam, se prestarmos atenção são bem identificáveis e podem indicar que está cogitando o suicídio.

OBSERVAR OS SINAIS

– os verbais

É presente a fala “quero morrer”, “não presto para nada”, “todos conseguem e eu não”, “posso morrer agora não faço diferença”, “estou cansada, não quero continuar”

Isoladamente essas frase podem parecer inofensivas, entretanto, somadas a outros fatores já tendem sim a nos deixar em alerta.

– os comportamentos gerais

Deixar de sair ou estar em lugares que antes tinha frequência e gostava;

Isolamento de festividades, amizades e compromissos como estudo, trabalho, entre outros;

Alimentação reduzida, come-se menos que o usual;

Falta ou excesso de sono;

Comportamentos agressivos;

A maioria tem a fala de solidão, de desesperança e seu corpo de fato aparenta apatia à vida, descuida com asseio e higiene;

Sem planos para o futuro, nem no presente se empenha no que faz; e entre outros

– os comportamentos digitais (redes sociais)

Segue páginas com conteúdos relacionados a quadros emocionais, especialmente depressão e que trazem a questão ligada a morte;

Escreve e posta repetidamente temas sobre as suas angústias;

Curte também publicações que dialogam com a sua dor;

Começam a seguir ídolos cuja condição de vida exposta nas redes sejam próximas ao que se sente, quando não daqueles que já tiveram sua morte pelo suicídio, e tornando-se as páginas mais visitadas;

Passam mais horas no uso das redes coletivas (YouTube, Facebook, instagram, etc) deixando a rede de contatos pessoais de lado;

Filmes e músicas que coincidem com seus sentimentos;

– se identificados os sinais, o que faço?

Se identificar os sinais, tome atitude – abra espaço com a pessoa para o diálogo, entretanto, de forma acolhedora;

Por vezes escutar e deixar com que a pessoa expresse seus sentimentos sem julgá-la. Estando disposto a ouvir a pessoa, pode direcionar o que seria importante para a vida dela naquele momento, e por vezes…acredite um abraço, um sorriso, a empatia já surtem efeitos imediatos e auxiliam na busca de ajuda;

Identificando os sinais em alguém, chame para uma conversa amiga. Escolha lugares calmos e que a pessoa se sinta bem para falar sobre suas angustias e mediante observar o grau, deve-se até perguntar depois de se colocar em apoio “você pensa em se matar?” Você pode não ter todos os recursos ali para fazer algo, mais se a pessoa falar e você se colocar no lugar de que não sabe o que fazer com essa constatação e que o melhor é procurar ajuda, pode conseguir colocá-la em contato com o serviço de saúde mental;

Se disponibilizar em um dia pode ser insuficiente, na maioria dos casos é necessário mesmo atenção por um tempo longo, e sentir que você não passou de mais um que curioso quis saber dos seus sentimentos certamente fará bem;

Quando as pessoas demonstram preocupação, querem estender a mão, dispendiam tempo para uma escuta amorosa e sem julgamento, a pessoa se sentirá importante e pode ser um início de sentir-se aberta a buscar ajuda profissional;

Pode buscar a rede de auxilio junto dela, naquele momento de conversa, por esses minutos você já fez a pessoa sair da ideia de morte e já passou ainda que não ciente a pensar em vida, em cuidar-se;

A pessoa na condição de já identificar-se com o suicídio precisa ser guiada, ele está em profundo sofrimento emocional e talvez já não consiga ir sozinha, acompanhe-a;

Atendimentos são oferecidos por faculdades (clínica escola da UNIP), clínicas particulares, escolas que dispõe do profissional da Psicologia, Igrejas com grupo de apoio, os CAPS (Centro de Atenção Psicossocial)

UPA 24h; Samu (192); Hospitais e Pronto-socorro devem ser considerados;

A rede de apoio CVV (disque 188 ligação gratuita a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular) é um serviço 24h para escuta e apoio emocional, e pode ligar quantas vezes quiser, você não precisa se identificar, indique sempre, poste sempre em suas redes sociais, você pode não ficar disponível o tempo todo.

Pode-se acessar www.cvv.org.br (Chat, Skype ou e-mail)

Você abordando, dando espaço para falar, o amigo da escola, o professor, a prima, o vizinho, a irmã, o marido, seja quem for – se identificar o risco emocional e mesmo o de morte iminente é recomendável procurar a família para que busque imediatamente orientação profissional da saúde mental. Amanhã pode ser tarde!

Cada caso é diferente de outro caso, entretanto, identificados os sinais, os sintomas – o importante é agir de maneira a usar recursos para tratar a pessoa o quanto antes e principalmente nunca diminuir a fala “vou me matar”, isso não é brincadeira, e se for, ao menos você vai saber disto sem se arriscar ao arrependimento.

Divulgue esse texto, ele também é um recurso positivo, que esclarece, que apresenta conhecimento e especialmente respeito por quem passa por essa condição, pelas famílias que estendem a mão para algum dos seus.

“Ainda que não se sinta, estamos aqui cuidando de você e sua vida é muito importante e especial para todos nós”!

Referências bibliográficas consultadas:

Site: < https://www.cvv.org.br/>

FUKUMITSU, Karina Okajima. Uma sião fenomenológica do luto: um estudo sobre as perdas no desenvolvimento humano. São Paulo: Pleno, 2018.

FUKUMITSU, Karina Okajima. Vida, morte e luto: Atualidades brasileiras. São Paulo: Padrão, 2018.

Site: < http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/suicidio>. Prevenção do suicídio: sinais para saber e agir